Empregos diminuem para deficientes
* Por: Valdir José de Oliveira Filho
Nos últimos tempos, a idéia de que o Brasil vive uma fase de pleno emprego, isto é, uma época na qual o desemprego é praticamente inexistente para quem efetivamente busca trabalhar, foi disseminada na sociedade. De fato, a situação é muito diferente da que existia há dez anos, quando muitas pessoas procuravam trabalho e não encontravam. Entretanto, para profissionais com deficiência, a situação é inversa. Os empregos têm diminuído, ao invés de aumentar.
Dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério da Fazenda, mostram que, em 2007, quase 349 mil pessoas com alguma deficiência tinham carteira assinada. No ano passado, esse número caiu para 306 mil, com diminuição aproximada de 12%.
Uma lei de 1991 que obriga as empresas com mais de 100 funcionários a terem de 2 a 5% de empregados com deficiências não está sendo cumprida. E, entre as razões apontadas para o descumprimento, está a falta de qualificação das pessoas com deficiência. Realmente esta é uma das maiores barreiras. Iniciativas por parte de algumas empresas no sentido de qualificar pessoas com deficiência têm sido empreendidas e devem ser elogiadas; entretanto, tais iniciativas devem ser parte de um processo mais abrangente que envolve toda a sociedade.
As instituições que cuidam de pessoas com deficiências precisam, cada vez mais, incentivá-las a ocuparem seus espaços. Enganam-se os que pensam que todo adolescente com paralisia cerebral, por exemplo, não pode ser empregado. Muitos podem. Basta que estejam desempenhando as funções corretas para suas habilidades, como todos os profissionais.
É missão dos educadores, cuidadores, médicos e até das famílias encorajarem os jovens com deficiência a romperem as barreiras. Aumentando sua autoconfiança, muitas vezes, eles conseguem até responder melhor aos tratamentos aplicados. Com orientação muitos jovens com deficiências conseguem cursar uma faculdade ou um curso técnico e se preparar melhor para suprir as vagas no mercado de trabalho.
Outro ponto importante a destacar é a questão da acessibilidade nas empresas. Para receber um colaborador especial, as corporações precisam tornar-se acessíveis, não apenas no aspecto da estrutura física, parte mais fácil de ser solucionada, mas em toda sua cultura empresarial. É preciso criar um ambiente de profundo respeito às diferenças, locais adequados às pessoas com deficiências, desafios profissionais adequados à realidade destas pessoas, ou seja, há que se desenvolver um conjunto de atitudes positivas que realmente mostrem o comprometimento da empresa para com a questão.
Uma nova era começou. Mas ainda estamos tateando em questões como esta. Será preciso percorrer ainda um longo caminho para garantir que os direitos das pessoas que são diferentes sejam parte natural de uma conduta social e não aplicados apenas quando descritos sob determinações e leis. De uma maneira geral é o próprio ser humano que auto impõe seus limites; nosso papel como sociedade nessa questão específica é contribuir para que o deficiente seja encorajado a ampliar cada vez mais seus limites.
* Valdir José de Oliveira Filho é presidente da Casa da Criança Paralítica de Campinas. Entidade sem fins lucrativos que proporciona tratamento e inclusão social para mais de 250 crianças e jovens com deficiência física.






