Usina de lixo com geração de energia é alternativa para destino de resíduos sólidos

Cliente: 
Postado em 22/07/2010

 

Quatro cidades brasileiras (duas em SP e duas na BA) estão em fase de desenvolvimento; contudo, ainda não existe nenhuma unidade de reciclagem energética do lixo em operação; parceria público-privada é a melhor maneira para viabilizar projetos, afirma especialista

Um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) listou as cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes e mostrou que o país produziu 57 milhões de toneladas de resíduos sólidos somente em 2009.

A maioria das cidades brasileiras conta com aterros sanitários e não pratica a coleta seletiva do lixo. Há um dado ainda mais grave: muitas cidades possuem aterros a céu aberto, os populares lixões, fontes de doenças e contaminação do solo. “Além de, muitas vezes, a área para estes fins ser escassa, trata-se de uma forma poluidora de contornar o problema do lixo urbano e que é muito oneroso ao município”, afirma Igor Furniel, diretor-executivo da Actuale, consultoria especializada em viabilizar contratos de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

“Existem soluções mais interessantes do que construir aterros sanitários, como construir uma usina de lixo que pode gerar energia e fornecer um destino ecologicamente correto aos resíduos. São as chamadas Unidades de Reciclagem Energética de Resíduos Sólidos Urbanos (URE)”, destaca Furniel.

“O Brasil poderá, sim, ter em breve, uma Política de Resíduos vigente para todo o território nacional, com disposições que veicularão regras a serem obedecidas em cada um dos 5.565 municípios. No entanto, num país de dimensões continentais, as diferenças regionais são marcantes, os usos e costumes e o grau de desenvolvimento são alguns dos fatores de diferenciação que precisam ser levados em consideração na condução de qualquer projeto nos mais diferentes setores da economia”, diz um trecho do estudo, disponível no site da associação (www.abrelpe.org.br).

“Somente na Alemanha, como exemplo, há 88 unidades em operação tratando 40% do lixo do país, equivalente a mais de 17 milhões de toneladas de lixo por ano. O restante é reciclado, e existem legislações proibindo a criação de novos aterros”, afirma Ricardo Buono Rizzo, diretor do Doutores do Meio Ambiente (DDMA), químico industrial pela Unicamp e consultor em projetos na área ambiental e energias renováveis. A DDMA é parceria da Actuale em quatro projetos que estão atualmente em desenvolvimento: nas cidades paulistas de São Sebastião e Lorena, e em duas cidades baianas, Camaçari e Barreiras.

De acordo com Rizzo, entre as principais vantagens ambientais das UREs estão a redução de emissões de gases estufa (até 700 kg CO2 equivalente por tonelada de lixo), controle das emissões com impacto ambiental mínimo, ausência de chorume e contaminação dos solos, águas e lençóis freáticos, redução de combustível para transporte e menor impacto ambiental. 

Viabilidade

A melhor solução para as usinas de lixo são as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Se, inicialmente, o principal benefício seria a redução nos gastos com a destinação do lixo, após a amortização do investimento, as vantagens são ainda maiores.

“A construção da usina trará vantagens tanto para o meio ambiente quanto para a população. Depois de finalizado, o empreendimento contribuirá para a geração de empregos na região e para o desenvolvimento de tecnologias eficientes, trazendo processos sustentáveis e riqueza à cidade em que a usina for implementada”, destaca Furniel, da Actuale.

Reciclagem energética do lixo

1 kg de lixo gera energia para:

•       Secador de cabelos por 24 minutos

•       Máquina de lavar por  20 minutos

•       Geladeira por 2 horas e 52 minutos

•       TV por 5 horas e 45 minutos

•       Forno elétrico por cerca de 22 minutos

•       Ferro elétrico por 43 minutos

•       Computador por 5 horas