A nova cara do mercado condominial
Conheça a história de três profissionais que revolucionaram e mudaram o mercado de condomínios no Brasil
O mercado condominial mudou muito nos últimos anos e, com isso, gerou diversas oportunidades de negócios. A carência por inovação é um dos principais pontos que tem atraído empreendedores dispostos a oferecer produtos e serviços diferenciados para o setor. Uma porta aberta para o empreendedorismo.
Entre os profissionais que estão fazendo a diferença, há três que merecem mais destaque: os empresários Carlos Henrique Cêra (30 anos), diretor da Superlógica, empresa desenvolvedora de softwares para condomínios, Julio Paim Vieira (35), diretor e fundador do portal SíndicoNet, e Dostoiévscki Vieira Silbonne (29), fundador do Pró-Síndico, evento do setor condominial no Brasil.
Os três possuem em comum a inovação e a busca por algo diferente, que pudesse revolucionar o setor e preencher todas as lacunas existentes. Conseguiram, cada um com seu produto e à sua maneira. Conheça mais abaixo a história de cada um deles e entenda como eles conseguiram dar uma nova cara para o mercado condominial brasileiro.
Tecnologia especializada
Por volta de 1998, Carlos Henrique Cêra, então com 19 anos, avaliava os caminhos profissionais que gostaria de seguir. Quando o jovem analista de computação, formado na Unicamp, entregou mais um programa feito sob encomenda, pensou: “Eu preciso de um novo produto, um produto que seja meu”. Sua raiz empreendedora, cultivada no buffet infantil que tocava desde os 17 anos, junto com a irmã e o irmão, e hoje seu sócio Luis, alimentava os sonhos de ter sua própria empresa.
Carlos conheceu, então, Lincoln Cesar do Amaral Filho, proprietário de uma administradora de condomínios, durante o curso-seminário Empretec, realizado para despertar novos empreendedores pelo SEBRAE, em 2000. Durante conversas informais, eles tiveram a ideia de criar um software para administração de condomínios.
Para Carlos, não era somente mais um projeto. “Você pode desenvolver e me entregar, mas o produto fica para você. Você vende”, propôs Lincoln. Carlos aceitou o desafio. Numa salinha apertada do apartamento onde morava e com a ajuda do irmão Luis, que também estudava computação na Unicamp, Carlos criou a primeira versão do software Condor. O produto foi entregue para Lincoln, que pôde usá-lo em sua administradora.
A história dessa parceria poderia ter terminado aqui. Mas os três perceberam que tinham um ótimo produto nas mãos e resolveram tomar a decisão de continuar juntos para colocá-lo no mercado. Foi quando surgiu a Superlógica. Porém, dois anos de investimento foram necessários para alcançar o equilíbrio entre receita e despesa da empresa.
Hoje, mais de 55 mil pessoas, 6 mil condomínios e cerca de 700 administradoras são usuários do Condor. A Superlógica conta com 40 colaboradores, entre desenvolvedores, suporte técnico, atendimento e área comercial.
Lançado há um ano, o portal LicitaMais é a última aposta da Superlógica. Além das notícias voltadas para os síndicos e administradoras, o site também funciona como um clube de compras para condomínios. Por mês, o LicitaMais recebe mais de 100 mil visitas. “Com a Internet, os síndicos passaram a ter mais informações e de melhor qualidade. As administradoras de condomínio estão também utilizando a Internet para atender seus clientes”, afirma Cêra.
Foco no síndico
A história de Julio Paim é um pouco diferente. No segundo ano da faculdade de administração na ESPM, em 1996, ele fez estágio em um dos primeiros provedores de internet no Brasil na época. Ainda neste ano, um professor passou um trabalho que consistia em desenvolver um produto ou serviço novo para um mercado específico. Foi quando decidiram montar um site voltado para síndicos de condomínios chamado SindicoNet.
O professor gostou muito do trabalho. “Nesse momento, percebi que o negócio tinha potencial a médio e longo prazo. Decidi então levar a ideia adiante”, conta Paim. Para se informar sobre o mercado condominial, começou a pesquisar cada vez mais o segmento e se candidatou a síndico do prédio em que morava. Eleito, ele enfrentou duas gestões por quatro anos. “Para mim, ficou mais do que claro o quanto o mercado e a própria figura do síndico estavam carentes de suporte e informação. Havia aí uma demanda retraída que me despertou mais interesse ainda.”
Neste meio tempo, Paim também apresentou em seu estágio o projeto aos chefes e conseguiu, juntamente com a empresa, desenvolver e colocar o SindicoNet no ar. Com o site no ar, começou a desenvolvê-lo e alimentá-lo diariamente. Fez cursos na área condominial e firmou parcerias estratégicas com especialistas do setor (advogados e administradoras). Isso fez com que o negócio começasse a fluir e gerar cada vez mais acessos de síndicos e administradores em todo o Brasil.
Em 1998, já com o portal em sua segunda versão e um volume considerável de síndicos associados, Paim firmou parceria com o UOL, que na época detinha 90% da audiência na Internet. O SíndicoNet passou a figurar na home do UOL praticamente todos os dias o que serviu para alavancar bastante a popularidade e, consequentemente, a audiência. “A parceria durou quase cinco anos, até o momento em que vi que não precisávamos do UOL para sobreviver. Já podíamos alçar vôo solo.”
Desde então o portal SíndicoNet foi crescendo continuamente. Hoje, o site recebe mais de 200 mil acessos por mês e conta com 108 mil síndicos e administradores associados ativos em todo o Brasil. No total, são mais de 3,5 mil páginas de conteúdo informativo.
Como dica para os profissionais que pretendem entrar para o setor, Paim afirma: “Se você pretende entrar nesse mercado, tenha foco e, no mínimo, faça uma lição de casa e vire síndico do seu condomínio. Só assim você vai sentir na pele e entender a reais necessidades desse público-alvo tão peculiar.”
Maior evento do setor
Já Dostoiévscki Vieira Silbonne conta que entrou para o mercado condominial aos 15 anos. Na época, seu pai tinha uma empresa de prestação de serviço especializada em condomínios, algo ainda um pouco inédito nos anos 1990. E foram as necessidades específicas deste público e sua notável expansão que o motivaram, em 2001, a montar um portal para administradores de condomínios, o AdministradorNet.
Com um público cada vez maior, Vieira notou a necessidade de ampliar o negócio e criou a EP-Mídia, Empresa Paulista de Publicidade e Comunicação. Para se ter uma ideia, em 2004, ele produziu o primeiro programa de televisão voltado para o segmento, o TV Condomínio. “O que mais me anima neste setor é a resposta e interação com os síndicos que estão a cada dia mais exigentes e sedentos de conhecimento, o que é ótimo”, afirma.
Mas engana-se quem pensa que Vieira contou apenas com a vasta experiência para crescer no setor. Graduado em publicidade e propaganda, hoje ele atua em diversas vertentes da comunicação. E foi essa formação acadêmica que deu o alicerce para ele criar, ainda em 2004, o maior evento voltado para o mercado condominial, o Pró-Síndico.
O objetivo do evento é difundir conhecimento para condomínios e negócios para empresas que atuem neste segmento. Durante o Pró-Síndico, que é gratuito, são realizadas palestras e demonstração de produtos e serviços. Além disso, os visitantes podem trocar experiências entre si nas rodadas de negócios.
Questionado sobre as principais características do setor, Vieira alerta para a falsa impressão de que o condomínio é um mar de dinheiro. Segundo ele, apesar de a situação estar melhorando, o segmento ainda precisa de maior respeito por parte dos poderes públicos e de profissionalização.
“A meu ver os condomínios são uma janela social, são o retrato fidedigno da realidade das pessoas que ali vivem. Por exemplo, se os condôminos são esnobes, os funcionários trabalharão desmotivados e sem prestígio, e aí teremos um ambiente ruim”, revela. Ele explica também que o condomínio é como uma engrenagem e, para que ela funcione, o papel do síndico é essencial.
Quanto às expectativas para os próximos anos, Vieira acredita que algumas coisas irão mudar. Mas, para isso, será preciso uma maior participação por parte dos moradores. “É um mercado promissor na medida em que as edificações precisam manter um padrão e isso gera divisas para a sociedade, seja em prestação de serviços ou em empregos. E vale lembrar que não param lançar novos condomínios”, diz.
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