Artigo: Brasil 2014: a Copa das PPPs
Por Igor Furniel *
Com o anúncio das 12 cidades-sede para a Copa do Mundo de 2014, começa uma corrida contra o tempo no Brasil. Temos menos que cinco anos para deixarmos todos os municípios preparados para receber milhões de torcedores (e turistas, ora pois). Vale lembrar que as obras fundamentais precisam estar prontas um ano antes, em 2013, para recebermos a Copa das Confederações. Pode parecer muito tempo, mas não é.
Diversas entidades, como o Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), alertam há tempos para a necessidade urgente de investimentos rápidos. Estudo da Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base) indica que serão aplicados R$ 110 bilhões no país nos próximos anos. E a demora em anunciar as cidades escolhidas só atrapalhou o cronograma de obras previstas e necessárias.
Entre os maiores desafios estão os estádios. As capitais precisarão pensar em projetos que tornem esses empreendimentos capazes de gerar lucro depois que a competição chegar ao fim. No caso de Minas Gerais, o valor da reforma do Mineirão será bem acima do previsto para as construções dos outros estádios e gira em torno de R$ 800 milhões.
Em entrevistas recentes, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, indicou que as Parcerias Público-Privadas podem ser uma excelente opção para o Brasil seguir. Segundo Fortes, as PPPs são uma alternativa confiável e com grande potencial de retorno.
Ou seja, mais uma vez estamos diante de uma grande possibilidade de crescimento. Diversos empreendedores citam que as oportunidades aparecem para todos, mas nem todos são capazes de aproveitá-las. Com a Copa, o país irá crescer muito e as PPPs precisam estar na pauta dos principais governantes. Elas, sem dúvida, serão imprescindíveis para o correto andamento das obras – as quais serão muitas e diversas.
Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo foram as escolhidas. Nos próximos anos, milhões de reais em investimentos serão direcionados para elas, seja por iniciativa Federal (por vários caminhos, como orçamentos de ministérios e BNDES), seja pela iniciativa privada.
Aliás, o próprio governo já adiantou que existe um PAC da Copa engatilhado. A capital mato-grossense, por exemplo, apontada como uma das piores em infra-estrutura, já tem garantido R$ 1 bilhão.
Carências logísticas, problemas de saneamento básico, infra-estrutura hoteleira reduzida, construção de novas e modernas arenas. Não faltarão direcionamentos para os investimentos. Por isso os empresários dos mais variados setores precisam estar atentos a tudo que vai acontecer. Novos negócios certamente surgirão, e precisamos estar preparados para atendê-los.
Igor Furniel é diretor-executivo da Actuale, especializada em viabilizar contratos de PPPs. E-mail: ifurniel@gsnweb.com.br.
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