Literatura

Postado em 25 de março de 2012 por Carlos Eduardo Moura

Livro do economista Eduardo Giannetti discorre sobre os juros. Mas não os juros dos banqueiros, e sim os de nossas vidas cotidianas

Por Carlos Eduardo Moura

Ao lançar “O Valor do Amanhã” (Cia. das Letras), o economista Eduardo Giannetti não se dirigiu ao leitor habitual de sua área, alertando no prefácio tratar-se de uma obra destinada a leigos. A ideia que o animava era bastante simples: falaria de juros, sim, mas não da maneira árida como se espera de um economista.

O valor do amanhã, livro de Eduardo GiannettiGiannetti parte do princípio de que todo ser humano é um economista intuitivo. O livro não trata de juros como uma instituição inventada por banqueiros, mas, sim, como algo natural. As indagações principais são: viver o dia e simplesmente não se preocupar com o amanhã ou viver cada dia pensando no amanhã? Abrir mão de algo no presente pensando no futuro ou usar todo o disponível no presente da melhor forma possível? Viver agora e pagar depois ou pagar agora e viver depois?

A ideia de juros, diz ele, está presente em diversos processos naturais. A formação de gordura é um exemplo. Nosso corpo armazena calorias em excesso para consumo futuro, funcionando como uma espécie de “poupança”.

O envelhecimento é outro. Nossos genes estão programados para dar seu melhor durante a juventude, ainda que isso implique custos futuros. A conta é descontada na velhice, com a decadência do corpo. Viver agora, pagar depois.

Há uma boa razão para que nossas células dêem o seu melhor o quanto antes. Nosso passado ancestral exigia grande vigor físico na juventude. Por isso, “o corpo jovem toma recursos adiantados do corpo velho, faz a festa, canta a vida, lança fogos e balões a que tem direito e empurra o ônus da dívida para o amanhã”.

Mas, ao passar dos anos, o ser humano se distanciou de seu passado ancestral e passou a fazer escolhas pensando no futuro, de forma mais ou menos sistemática. “O pano de fundo dessa mudança radical foi a ampliação da percepção do tempo – um extraordinário alargamento da faculdade de imaginar o futuro e reter na memória a experiência passada visando conhecer e modificar o amanhã”.

Mundo vegetal

O mundo vegetal, pródigo em poupar e mudar tendo em vista sua sobrevivência, dá outros exemplos interessantes. Certas plantas e árvores, antes de iniciarem a desfolha, têm o cuidado de evacuar das folhas seu conteúdo, absorvendo assim os nutrientes – sais minerais e nitrogênio – em seu metabolismo. Esses vegetais estocam os recursos no tronco ou no caule para uso futuro.

Árvores frutíferas também têm outro mecanismo curioso. Para elas, apenas produzir sementes não basta. É preciso espalhá-las para que possam germinar. “Elas clamam, por assim dizer, por serem comidas e saboreadas, mas não sem antes fixar uma condição crucial.”

“As árvores que dão frutos não se limitam a praticar a arte e o engenho da paciência em seu metabolismo – elas ensinam aos animais o saber esperar.” A fruta madura é aquela cujas sementes estão no ponto certo para serem espalhadas por animais e insetos. Quando verdes ou passadas, têm gosto amargo. Quando maduras, são a recompensa que os vegetais oferecem aos que, agindo no momento certo, involuntariamente contribuem para a manutenção do seu ciclo reprodutivo.

Vida breve

Apesar de não sabermos por quanto tempo viveremos, que peso atribuir ao futuro, em contraposição ao momento? Seria mais interessante colocar “mais vida em nossos anos” ou “mais anos em nossas vidas”?

Nos últimos tempos, registrou-se um rápido aumento da longevidade. Nunca foi tão importante planejar a vida para daqui a 30 ou 40 anos. A média de vida mundial passou de 53 anos em 1960 para cerca de 67, hoje.

E viver por mais tempo quer dizer estar preparado para uma nova vida depois da aposentadoria. “Um repensar de valores e formas de vida e um conjunto de providências práticas que dizem respeito à maturidade e à velhice, mas que deveriam se fazer presentes desde as etapas formativas da infância e juventude”, diz Giannetti.

(Publicado no jornal do Sescon Campinas, março de 2012)

Postado em 25 de outubro de 2011 por Carlos Eduardo Moura

“Nossa crença é que nossa marca, nossa cultura e nossa fonte de informações são as únicas vantagens competitivas que teremos em longo prazo. Todo o restante pode e será eventualmente copiado.”

Este é um dos trechos mais fortes de “Satisfação garantida – No caminho do lucro e da paixão” (Ediouro), de Tony Hsieh CEO da Zappos, empresa norte-americana que vende sapatos, roupas e acessórios pela internet. O livro traz, em primeira pessoa, a história empreendedora de Tony e da Zappos, considerada uma das empresas que mais dão atenção ao atendimento ao cliente nos EUA.

Antes da Zappos, Tony criou uma empresa que cresceu de forma tão rápida que ele mal conhecia os rostos dos funcionários. Um dia, ele acordou e viu que não queria ir trabalhar. “Era o cofundador e ainda assim a empresa não era o lugar onde gostaria de estar”. Tanto é que decidiu vender a empresa (para a Microsoft).

“Fiz uma lista dos períodos mais felizes da minha vida e percebi que nenhum deles envolvia dinheiro. Havia decidido parar de correr atrás do dinheiro e começar a correr atrás da paixão”.

Tony Hsieh, CEO da Zappos

Com o dinheiro da venda, Tony criou uma espécie de incubadora para empresas nascentes. A principal delas era a Zappos, cujo negócio era vender sapatos pela web.

Com o estouro da bolha da internet, em 2000, a empresa passou por sérias dificuldades, com demissões e cortes. O foco, então, passou a ser atrair clientes que já haviam comprado.  “Mal sabíamos que era uma benção disfarçada, já que nos forçou a focar mais na oferta de um melhor serviço aos clientes”.

Mais do que produtos, a empresa passou a vender o conceito de felicidade. Entre as mudanças, atendimento 24h, frete grátis e devolução gratuita de produtos – o que cativou os clientes.

A idéia era: ao tratar bem o cliente, ele vai comprar de novo – e ainda vai indicar. Então, a empresa se preocupou em como atender da melhor forma e como surpreender positivamente seus clientes – e mantê-los para a vida inteira.

“Em acréscimo à tentativa de impressionar nossos clientes, nós também tentamos impressionar funcionários, vendedores e parceiros que trabalham conosco (e, no longo prazo, nossos investidores). Acreditamos que isso cria um ciclo virtuoso, e, em nossa visão, estamos fazendo do mundo um lugar melhor e melhorando a vida das pessoas”, diz Tony.

O livro é muito bom e eu recomendo fortemente a sua leitura.

Um tempinho atrás, eu escrevi sobre o culture book da Zappos, texto que também recomendo a leitura.

Valores da Zappos

  1. Entregue um serviço WOW;
  2. Adote e incentive a mudança;
  3. Crie diversão e um pouco de esquisitice;
  4. Seja aventureiro, criativo e cabeça-aberta;
  5. Persiga o crescimento e o conhecimento;
  6. Construa relacionamentos abertos e honestos;
  7. Construa um time positivo e espírito de família;
  8. Faça mais com menos;
  9. Seja apaixonado e determinado;
  10. Seja humilde.
Postado em 27 de abril de 2011 por Carlos Eduardo Moura

A revista "Veja", de algumas semanas atrás, publicou uma entrevista interessante (A rede está melhorando os jovens) com o Don Tapscott, autor de livros como "Geração Digital" e "Wikinomics".

Vale a leitura.

Dois trechos me chamaram a atenção:

Os pais nunca devem substituir o tempo que passam comseus filhos por um computador. A chave de uma boa educação ainda é a leitura e as brincadeiras com as crianças.

As escolas tradicionais estão vivendo um impasse. A maior parte utiliza os mesmos métodos há séculos e a Geração Net não está nem um pouco interessada em ser testada a cada mês para ver se está memorizando as matérias dentro das regras. A garotada quer adquirir conhecimento e habilidade por meio das próprias descobertas.Os professores devem ser seus co-navegadores.

don tapscott
Postado em 31 de janeiro de 2011 por Carlos Eduardo Moura

As “teses” abaixo são defendidas por Jason Fried e David Heinemeier Hansson no livro “Rework”. Jason e David são os sócios-fundadores da 37signals, empresa que está por trás de aplicativos baseados na web como o Basecamp e o Highrise.

Rework“Rework” é muito bom e vale a pena ser lido. O livro é curtinho e bem fácil de ler. Traz vários pontos interessantes que podem ser usados por qualquer tipo de empresa.

Compilei abaixo os trechos que mais me chamaram atenção dentro do capítulo sobre produtividade.

Divirta-se.

(Vale a pena ver também o vídeo logo mais abaixo. É uma palestra que o Jason proferiu no TED sobre produtividade.)

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Workaholism. Trabalhar muito só quer dizer que você trabalha muito, não quer dizer que você resolve muitos problemas. Geralmente quem trabalha sempre mais do que precisa acaba criando mais problema do que resolvendo. Um workaholic não é um herói. O herói já fez o que tinha de fazer e está em casa.

Adote a ideia de ter menos massa. Você é menor, mais magro e mais rápido do que jamais vai ser. Quando mais massa tiver um objeto, mais energia será necessária para mudar sua direção. A massa é aumentada por contratos de longo-prazo, excesso de pessoal, decisões permanentes, reuniões, processos densos, inventários, hardware, softwares e tecnologias fechadas, políticas de escritório... Evite isso sempre que puder.

O mundo dos negócios está cheio de documentos mortos que não servem para nada a não ser desperdiçar o tempo das pessoas. Relatórios que ninguém lê, gráficos que ninguém olha e especificações que nunca se parecem com o produto acabado. Essas coisas levam todo o sempre para fazer, mas apenas alguns segundos para esquecer.

O problema com abstrações (como relatórios e documentos) é que eles criam ilusões de conformidade. Cem pessoas podem ler as mesmas palavras, mas em suas cabeças estão imaginando cem coisas diferentes.

Interrupção é a inimiga da produtividade. Se você fica constantemente até tarde ou trabalha nos finais de semana não é porque não há tempo o bastante para o trabalho ser feito. É por que você não está fazendo o bastante no trabalho. E a razão disso são as interrupções.

Pense: quando você consegue fazer a maior parte do seu trabalho? Geralmente de noite ou logo cedo. Não é coincidência que esses são os horários que ninguém está por perto.

Interrupções quebram o seu dia de trabalho em séries de trabalho. 45 minutos e você recebe uma ligação. 15 minutos e você vai almoçar. Uma hora depois, você tem uma reunião. Depois, são cinco da tarde e você só teve algumas horas ininterruptas para trabalhar direito.

Você não consegue fazer coisas significativas quando constantemente começa, para, começa, para. Trechos longos de tempo sozinho é quando você é mais produtivo. Quando você não tem zapear entre várias tarefas, a coisa flui.

Ir para essa zona de “tempo sozinho” requer tempo e exige evitar interrupções. Não precisa ser de madrugada. Você pode definir uma regra no trabalho que metade do dia é reservado para o tempo sozinho. Defina que das 10 às 14h as pessoas não pode conversar entre si. Ou faça a primeira ou a última metade do dia como seu período de tempo sozinho. Em vez das sextas casuais, tente fazer a terça sem-conversa. Apenas tenha a certeza de que este período não seja quebrado.

E faça todo dia. O sucesso do tempo sozinho significa deixar o vício na comunicação de lado: fuja das mensagens instantâneas, ligações, e-mails e reuniões. Apenas trabalhe.

Tente usar ferramentas de comunicação passivas, como e-mail (que não requer resposta instantânea). Desta forma, as pessoas podem responder quando for conveniente.

Reuniões são tóxicas. As piores interrupções são as reuniões. Eis o porquê: geralmente são sobre conceitos abstratos, e não sobre coisas reais; geralmente transmitem um abismal monte de pequenas informações por minuto; divagam e mudam de assunto de um jeito muito fácil; têm agendas tão vagas que ninguém sabe exatamente o objetivo; têm geralmente um idiota que, na sua vez de falar, desperdiça o tempo dos outros com nonsense; reuniões se procriam. Uma reunião leva a outra, que leva a outra...

Reuniões são tóxicas

O verdadeiro problema das reuniões é a escala. Você convoca dez pessoas para uma reunião de uma hora. Na verdade, é uma reunião de dez horas. Você está trocando dez horas de produtividade por uma hora de reunião. Pense no tempo que você está perdendo e se pergunte se realmente vale a pena.

 Se você acha que realmente tem que fazer uma reunião com todo mundo, tente fazer a sua reunião da melhor forma possível, seguindo algumas regrinhas:

- Defina um tempo. Quando acabar, a reunião acabou.

- Convide o mínimo de pessoas possível.

- Tenha uma agenda clara.

- Comece com um problema específico.

- Encontre-se no local do problema em vez de uma sala de reuniões. Aponte para coisas reais e sugira mudanças reais.

- Termina com uma solução e faça alguém responsável por implementá-la.

 Decisões. Sempre que puder, troque o “Vamos pensar sobre isso” por “Vamos decidir isso”. Não espere pela solução perfeita. Decide e toque adiante. O problema começa quando você posterga decisões na esperança de que a resposta perfeita aparecerá depois. Não aparecerá.

 Vá dormir. Renunciar ao sono é uma má ideia. Você destrói sua criatividade, moral e atitude. Criatividade é uma das primeiras coisas que se vão quando você perde o sono. O que distingue quem é dez vezes mais eficiente do que o normal não é que ele trabalha dez vezes mais duro; e sim que ele usa a criatividade para chegar a soluções que requerem um décimo do esforço. Sem dormir, você não consegue isso.

Quando você está cansado, você perde motivação para atacar os problemas grandes. Sua habilidade de ser paciente e tolerante é severamente reduzida quando você está cansado.

Porque o trabalho não funciona no trabalho