A falta que Nei Paraíba faz ao Guarani

Nei Paraíba nunca foi craque. Nem bom jogador era. No máximo, um atacante de mediana qualidade. Na campanha do acesso do Guarani, na temporada passada, o atacante - que veio do Oeste, de Itápolis (SP) - entrou algumas vezes e fez apenas dois gols em 38 jogos. É pouco? Sim, é pouco.

Ao fim da temporada passada, a diretoria bugrina decidiu pela não-renovação do contrato com o atacante. Friamente, os dirigentes raciocinaram e fizeram o "certo": atacante que não marca gols não fica no time. Certo? Errado. Muito errado.

Nei Paraíba era muito mais do que um simples atacante. Irreverente, brincalhão e famoso pelo seu penteado, aos poucos ganhou a torcida, que passou a usar uma peruca para homenageá-lo. (Aliás, cabe o paralelo com o jogador de basquete Anderson Varejão, que joga na NBA, no Cleveland Cavaliers, ao lado do astro Lebron James.)

Nei Paraíba: aí, sim...

Mais do que ter ganhado a torcida, Nei Paraíba era figura frequente no Globo Esporte, programa diário da Rede Globo - atenção, muita atenção às palavras-chave: Rede Globo, IBOPE, altíssima visibilidade à marca Guarani. No GE, o Bugre era sempre retratado positivamente, até pela campanha que fez, subindo para a primeira divisão. O Guarani ganhou muito destaque na mídia graças a Nei Paraíba ("O Deus do Amor", como era chamado no programa), mas também pelo time, claro, que correspondeu em campo e é famoso nacionalmente.

O apresentador Tiago Leifert até criou o "Troféu Nei Paraíba", dedicado a escolher o jogador mais bonito do Brasil. Então, era Nei Paraíba pra cá, Guarani pra lá. Eu, fosse diretor do time, adoraria ter Nei Paraíba no meu plantel, mesmo que na reserva e entrando poucas vezes em campo.

Pois bem. A diretoria bugrina não pensava assim e optou por não renovar o contrato do cabeludo. Nei Paraíba foi disputar a segunda divisão no Irã (sim, Irã), no glorioso Sanat Naft. E o Guarani? Parou de aparecer no Globo Esporte - atenção, muita atenção às palavras-chave: Rede Globo, IBOPE, altíssima visibilidade à marca Guarani - e pode ter perdido, com isso, alguns reais a mais em seu cofre.

Não sei se o Guarani tem departamento de marketing. Se tem, me parece totalmente errado que tenha deixado sua principal arma ser dispensada. E dizer que Nei Paraíba era sua principal arma no marketing não é nenhum demérito para o clube, já que ele, sozinho, não conseguiria nada. Sempre precisou de um clube forte e respeitado por trás - basta lembrá-lo nos tempos de Oeste, quando já era conhecido, mas não tinha toda a fama alcançada no Brinco de Ouro da Princesa.

Assim, casa-se o interesse da mídia (Nei Paraíba) com um produto de qualidade e já conhecido (Guarani). Hoje, no entanto, o Guarani não tem mais qualquer penetração na grande mídia nacional. Neste primeiro semestre, disputando a Série A-2 do Campeonato Paulista, está relegado à mídia regional. Somente a partir de maio, quando disputará a Série A do Campeonato Brasileiro, poderá voltar a ganhar destaque.

Mas marketing no futebol para quê, não é mesmo? O Guarani deve estar com os cofres cheios e um elenco recheado de craques. Não deve precisar disso.

Comentários

Essa foto é real? ela existe mesmo?

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Por favor responda esta pergunta, como prevenção anti-spam.
Image CAPTCHA
Digite os caracteres exibidos na imagem.